Toda clínica odontológica lida com dados pessoais: nome, telefone, histórico de saúde, radiografias e fotos. Pela Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), dados referentes à saúde são dados pessoais sensíveis, com regras mais rigorosas. Fotos clínicas, intraorais e de rosto feitas no contexto do atendimento entram nessa categoria.

Conteúdo informativo, atualizado em outubro de 2026. Para adequar sua clínica, consulte um profissional especializado em proteção de dados.

Atendimento e divulgação têm bases legais diferentes

Um erro comum é achar que tudo depende de consentimento, ou, ao contrário, que uma única autorização cobre tudo. Na prática, são finalidades diferentes:

FinalidadeExemploBase legal mais citada
Atendimento clínicoprontuário, radiografias, fotos de diagnósticotutela da saúde (art. 11, II, f)
Comunicação com o pacientesimulação mostrada na consulta e enviada a elefinalidade ligada ao atendimento, com transparência e, de preferência, autorização
DivulgaçãoInstagram, site, aulasconsentimento específico e destacado

Para fins clínicos, a lei prevê o tratamento de dados sensíveis para tutela da saúde por profissionais de saúde. Para divulgação, o consentimento precisa ser específico (para aquela finalidade), destacado (separado das demais cláusulas), informado e revogável.

Boas práticas com as fotos

  • Explique para que a foto será usada antes de fotografar.
  • Colete autorizações separadas para uso clínico/consulta e para publicidade.
  • Guarde em ambiente seguro, com acesso restrito por usuário e senha.
  • Evite guardar fotos de pacientes no celular pessoal ou em grupos de mensagens.
  • Não use links públicos permanentes para imagens clínicas.
  • Limite o acesso: a recepção não precisa ver fotos clínicas.
  • Defina por quanto tempo cada tipo de imagem será mantido, respeitando as regras de guarda do prontuário.

Direitos do paciente

O paciente pode pedir, entre outros:

  • acesso aos dados que a clínica tem sobre ele;
  • correção de dados incorretos;
  • revogação do consentimento para divulgação, com a retirada das imagens publicadas;
  • informações sobre com quem os dados foram compartilhados.

Tenha um processo simples para atender esses pedidos: quem recebe, em quanto tempo responde e como registra.

Simulação de sorriso e LGPD

Ferramentas de simulação processam a foto do paciente. Por isso:

  • informe o paciente e colete a autorização antes da foto;
  • prefira sistemas que guardem as imagens de forma privada, por clínica, com acesso restrito;
  • identifique a simulação como ilustrativa;
  • verifique se o fornecedor usa provedores de IA que não utilizam as imagens para treinar modelos.

Checklist rápido

  • Termo de autorização de imagem (consulta) assinado.
  • Termo separado para publicidade, quando houver.
  • Fotos fora do celular pessoal e de grupos.
  • Acesso restrito por função.
  • Processo para pedidos do paciente.
  • Política de retenção definida.

Perguntas frequentes

Foto de paciente é dado sensível?

Fotos feitas no contexto de atendimento de saúde estão relacionadas a dados de saúde e devem ser tratadas como dados pessoais sensíveis.

Preciso de consentimento para tirar foto clínica?

Para o atendimento, a lei prevê a base da tutela da saúde. Mesmo assim, explicar a finalidade e registrar a autorização é uma boa prática, especialmente quando a foto também será usada para simulação. Para divulgação, o consentimento específico é necessário.

O paciente pode pedir para apagar as fotos?

Pode pedir a revogação do consentimento para divulgação e a retirada das publicações. Fotos que fazem parte do prontuário seguem as regras de guarda aplicáveis. Veja o modelo de termo de autorização e o guia sobre antes e depois e o CFO.